Santa Filomena concentra maior parte do desmatamento ilegal do cerrado piauiense

 


A cidade de Santa Filomena, a 890 km de Teresina, concentra 10% de todo o desmatamento ilegal do cerrado brasileiro e o maior deste bioma no Piauí. O programa Profissão Repórter de terça-feira (11) mostrou qual a relação desse crime com o processo de grilagem de terras em fazendas do interior do Piauí.

Mas o que é grilagem? Em linhas gerais, a prática criminosa acontece quando há apropriação de terras por meio de documentos falsificados.

Essas áreas do cerrado disputadas por grileiros se localizam na fronteira agrícola da região Matopiba, composta pelo Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

O desmatamento da área no Piauí equivale, atualmente, a 16 mil hectares, ou seja, 16 campos de futebol desmatados.

O que diz o estado

O Instituto da Regularização Fundiária e do Patrimônio Imobiliário do Estado do Piauí (Interpi), por meio de nota informou que vem trabalhando para combater a prática criminosa, investigando denúncias, punindo criminosos e promovendo uma política de regularização fundiária.

Ainda segundo o Interpi, a política de regularização fundiária estadual vem contribuindo para a proteção do meio ambiente e tornou obrigatório a confirmação do domínio da terra para poder obter licenças ambientais.

Conforme Felipe Gomes, diretor do Centro de Geotecnologia e Gestão Florestal da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), o Governo do Estado enviou à Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) a Política Estadual de Combate ao Desmatamento Ilegal, que já está em tramitação.

"Essa politica vai instituir uma comissão estadual que integra essas forças para atuação conjunta. O desmatamento ilegal está necessariamente atrelado a processos de grilagem. Então não adianta apenas os órgãos ambientais, é preciso atuar com as forças de segurança e com os institutos de terras, por exemplo, além do órgão federal que é o Ibama" , afirmou.

O diretor também destacou que um desafio para os órgãos de enfrentamento desses crimes é a fiscalização e manutenção dos embargos de terras recuperadas da grilagem.

Para isso, o estado contará com a Polícia Federal que disponibilizará imagens de satélite em tempo real para monitorar e fiscalizar o cerrado piauiense e as áreas embargadas.

O Interpi também afirmou que sempre que alertado sobre suspeita de crimes encaminha as informações aos órgãos competentes como o Ministério Público do Piauí (MPPI), Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI) e Semarh.

📜 Lei estadual 7.294/2019

Com base nesta lei, o Instituto de Terras do Piauí (Interpi), responsável pela demarcação de terras no estado, estabelece como prioridade na titulação para comunidades tradicionais como quilombolas e indígenas. Outra prioridade tem se voltado para as titulações coletivas, quando, ao invés de emitir títulos individuais em nome de cada uma das famílias, o título fica em nome de uma associação que reúne todos os membros da comunidade. Esse título não pode ser vendido.

Esta é uma maneira de preservar as tradições das comunidades e evitar que as terras sejam alvo de grileiros.

A origem do termo grilagem

Para comprovar a posse antiga da terra por meio de documentos novos, os grileiros (quem pratica grilagem) colocavam os documentos falsificados em uma gaveta cheia de grilos.

Segundo a história, os animais comiam partes dos papéis e com suas fezes acabavam deixando o papel amarelado e assim, passavam a impressão que os documentos eram bastante velhos.

Fonte: g1 Piauí 

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