Trabalho escravo: 117 piauienses são resgatados em Minas Gerais e Goiás

 


Um total de 117 piauienses foi resgatado em regime análogo às de escravidão nos municípios de Araporã, em Minas Gerais, e Itumbiara e Edeia, em Goiás. Os trabalhadores atuavam em serviços em usinas de álcool e na produção de cana de açúcar e foram descobertos durante uma fiscalização do Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo do Ministério Público do Trabalho. 

Segundo o MPT, foram 212 trabalhares de origem de diversos estados (Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte e Bahia) encontrados nesses locais. Dentre as irregularidades descobertas, havia a cobrança pelos aluguéis dos barracos usados como alojamentos, o não fornecimento de alimentação e cobrança pelo fornecimento de ferramentas de trabalho pelos empregadores. 

A fiscalização constatou que não havia instalações sanitárias nas frentes de trabalho, fornecimento de equipamentos adequados de proteção e a aplicação de agrotóxicos ocorria nas áreas onde os trabalhadores estavam. Os trabalhadores também chegavam a ter que pagar pelos colchões e, aqueles que não tinham condições, dormiam em redes ou mesmo no chão forrado com um pedaço de pano, ou papelão. Muitos deles comiam a metade da marmita no café da manhã, já que não tinham outra coisa para comer.

“Infelizmente, são muitos os piauienses que são traficados para outros estados, ludibriados com falsas promessas de bons salários, bons alojamentos e boa alimentação, contudo, ao chegarem o destino, descobrem que foram enganados, que, além de salários bem abaixo dos prometidos, as condições de trabalho são absolutamente degradantes”, disse o Procurador-chefe do MPT no Piauí, Edno Moura.

Os trabalhadores resgatados terão direito a receber três parcelas do seguro-desemprego. A Polícia Federal também instaurou inquérito policial para apurar a prática do crime de submissão de trabalhadores a condições análogas à de escravo. Os empregadores que assumiram a responsabilidade pelos trabalhadores resgatados e concordaram em realizar os pagamentos das verbas rescisórias, que alcançaram R$ 2,57 milhões, acrescido de 50% desse valor como dano moral individual, totalizando R$3,855 milhões. 


Fonte: O dia