Uma onda que tomou conta da internet nas últimas semanas está assustando os pais de crianças e adolescentes ao redor do mundo. Em vídeos que viralizaram, jovens “fumam” os bastões plásticos após acenderem uma das extremidades de algodão. A prática, logicamente, traz inúmeros riscos para a saúde, especialmente pela inalação de substâncias que compõem a parte plástica dos bastonetes.
Para descobrir quais são os riscos potenciais dessa estranha moda, a Tribuna do Paraná procurou médicos especialistas em doenças pulmonares, que alertam para a gravidade da prática.
Pneumologista do Hospital de Clínicas de Curitiba e professor do Curso de Medicina da Universidade Positivo, a Dra. Juliana Puka explica que a fumaça inalada nesta prática traz graves riscos à saúde especialmente pela presença de derivados do petróleo nas hastes.
“É importante lembrar que a principal matéria-prima do plástico é o petróleo, ou seja, apesar de já existirem materiais renováveis ou biodegradáveis provenientes da cana e do amido, a maioria dos plásticos é uma complexa mistura derivada do petróleo. Assim, o cotonete, uma haste flexível feita de plástico, além de cheirar mal ao ser queimado, libera uma fumaça rica em carbono e gases tóxicos como, por exemplo, dioxinas, vapor de mercúrio e ftalatos [conjunto de substâncias químicas conhecidos também como plastificantes]. Já o algodão das suas pontas, apesar de ser uma fibra natural, por si só pode causar uma inflamação das vias respiratórias se inalado e, quando queimado, também pode liberar substâncias tóxicas, pois as lavouras convencionais de algodão são reconhecidas por serem as que mais utilizam agrotóxicos (inseticidas e pesticidas) no mundo”, explica a médica.
Para o oncologista clínico do Hospital Erasto Gaertner, Dr. Gustavo Vasili Lucas, essa e outras “modas” semelhantes devem ser combatidas ao máximo por ter um grande potencial de causar doenças mais sérias, até mesmo o câncer.
“Vimos aí uma viralização em redes sociais de jovens, bem jovens até, fumando cotonete, algo totalmente nocivo para a nossa saúde. A princípio a prática de inalar plástico e algodão pode ser muito danosa ao nosso organismo, principalmente para a nossa via aérea, que compreende desde a boca, a nossa laringe, traqueia e pulmões. A fumaça realizada através da combustão, ou seja, da queima do plástico e do algodão, gera uma inflamação aguda. Ainda é tudo muito novo pra gente, mas o que já vemos é que é algo que de fato traz bastante efeitos nocivos num primeiro momento. Temos notado um aumento da incidência de inflamação, não somente por esse tipo de prática, mas outros tipos de inalações que vêm acontecendo aí, algo bem relacionado à moda”, conta o médico, que explica como os pulmões reagem à inalação dessas substâncias:
“A tendência do nosso organismo ao entrar em contato com a fumaça ou até mesmo a combustão do plástico e do algodão, é uma forma de defesa. O próprio pulmão vai liberar diversas substâncias que são inflamatórias e então o nosso organismo vai sofrer justamente com isso. Ainda é um pouco cedo para se falar sobre a possibilidade de câncer, mas na nossa lógica isso teria relação se a pessoa fumasse com certa frequência. A gente sabe que quanto mais você leva a uma inflamação pulmonar maior a chance de se levar a um câncer de pulmão”.
Fonte: Tribuna do Paraná
